Descrição Geral
Rapé Nukini
Esse rapé é feito pelo Xití, liderança da aldeia recanto verde. Conhecido como um dos rapés mais fortes, ele criou fama para todos os demais rapés feito pelos Nukinis. No inicio da nossa parceria ha quase 15 anos atras, ele era a única pessoa entre os Nukinis que fabricava rapé em quantidade maior, e até hoje o rapé vem sendo feito em comunidade com família e parentes. É um rapé aromático e forte que leva varias ervas das quais eles não revelam os nomes, cinza de Tsunu e Tabaco.
A Terra Indígena Nukini, outra etnia que se localiza no Acre, integra um dos mais importantes mosaicos de áreas protegidas do Brasil e do mundo, sendo próxima ao Parque Nacional da Serra do Divisor. Os Nukini são uma etnia do tronco linguístico Pano e se reconhecem como o Povo da Onça, Inu Kunuí. Eles tem uma historia de serem dominados por outras etnias, e segundo eles vieram migrando do Peru quando os colonizadores chegaram la. Em meados do século XX sofreram de uma epidemia de febre amarela que apenas levou mais que a metade da população deles. Hoje contam com aproximadamente 700 membros.
As famílias dessa etnia estão distribuídas ao longo dos igarapés Timbaúba, Meia Dúzia, República, Capanawa e na margem esquerda do rio Môa. É também possível localizar alguns integrantes desse povo em outros municípios do Estado do Acre, como Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Rio Branco. O processo de demarcação do povo Nukini começou ainda em 1970, porém, apenas em 1985 foi demarcada e, em 1991 homologada, oficializando o processo. A farinha e a carne de caça são a base da alimentação desse povo, que praticamente não cultiva legumes, a não ser algumas verduras em canteiros suspensos.
Hoje o povo Nukini tem três escolas na terra indígena, sendo que uma delas é uma escola padrão que vai até o ensino médio. Na escola existem professoras que trabalham só com a língua indígena e até cartilhas já foram produzidas. Na escola a língua indígena é parte do currículo escolar; se o aluno não aprende, isto aparece no boletim, ele fica reprovado como se fosse outra matéria qualquer.
Há 20 anos a energia elétrica chegou nas aldeias e junto a isso a televisão que, segundo alguns membros da etnia, atrapalharam muito a continuidade da língua Nukini. Hoje, eles estão se expressando mais na língua nativa para preservar essa parte da cultura. O povo Nukini é um povo em reconstrução cultural, e hoje resgatam sua língua por meio dos anciões da etnia.
O territorio deles é menos visitado devido ao alto índice de malária, mas fora isso os Nukinis tem uma economia mais estável que outros povos do Acre.